1 de mai de 2017

KEEP OF KALESSIN - HEAVEN OF SIN (EP)


2016
Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Descendant - The Legacy of Kings
2. Typology
3. Heaven of Sin


Banda:


Obsidian C. - Guitarras, vocais, teclados
Wizziac - Baixo
Vyl - Bateria


Contatos:

Instagram: 
Bandcamp: 
Assessoria: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Falar do trio norueguês KEEP OF KALESSIN é sempre um enorme prazer, porque sejamos sinceros: enquanto muitas bandas dão sinais de cansaço, esse Dragão de nobre linhagem continua tão criativo quanto nas primeiras audições deles, anos atrás.

E mesmo já tendo mais de um ano, o que nos reserva o EP “Heaven of Sin”, lançado no formato digital de forma independente?

Vamos lá!

As músicas do EP são sobras das sessões de “Epistemology”, que a banda deixou de fora porque elas não se enquadrariam no conceito geral do álbum. Mas mesmo sendo faixas que foram cortadas, elas mostram a versatilidade do trio, pois elas possuem algo de envolvente, que nos cativa nas primeiras ouvidas, mesmo mantendo o nível técnico de sempre. Ou seja: ouve-se em “Heaven of Sin” o bom e velho KEEP OF KALESSIN, pronto para novos desafios, e criativo como sempre, apenas temperado com uma boa dose de elegância.

Como as músicas derivam das sessões de “Heaven of Sin”, a produção é de Obsidian C. mais uma vez, e Stamos Koliousis mixou e masterizou as canções. A qualidade de sonora do EP é muito boa, seca e pesada, clara e com tons bem definidos. Um trabalho bem feito que dá vida às canções da banda, com timbres muito bons em todos os instrumentos e vocais.

A capa é de Totleben, conhecido artista alemão, que pegou a idéia que o título e a música da banda dão e expandiu em uma arte bela, elaborada com muito bom gosto e elegância.

Como dito acima, o trabalho de Obsidian C., Wizziac e Vyl continua excelente em todos os sentidos, mas ao mesmo tempo, parece que a elegância que preenche as três canções faz tudo mais simples de assimilar. Andamentos bem pensados, arranjos de teclados encaixados com maestria, e tudo na medida certa, sem abusos.

Abrindo o EP, temos a rápida e melodiosa “Descendant - The Legacy of Kings”, com riffs certeiros, solo virtuoso (não é à toa que sempre comparo Obsidian C. à Randy Rhoads, já que suas noções de nota no lugar certo e na hora certa é genial), sem mencionar o refrão empolgante e de fácil assimilação. Seguindo o estilo de “Epistemology”, apenas com uma pegada com velocidade mediana (embora os tempos mudem vez por outra), vem “Typology”, outra recheada de ótimos riffs de guitarra com um jeitão Thrash Metal em algumas partes, mas o trabalho de Wizziac no baixo e de Vyl na bateria é ótimo, criando uma base rítmica sólida e com boa técnica. E fechando, a cadenciada e melodiosa “Heaven of Sin”, onde detalhes de teclado mostram como o grupo é criativo, com partes de vocais extremos diferentes dos timbres usuais, fora a beleza das belas vozes limpas, que encaixam como uma luva. Ou seja, é uma faixa bonita e bem feita, com classe que só o trio possui.

Ou seja, o Dragão norueguês do Extreme Epic Metal ainda tem muito que mostrar. Logo, que tal lhes dar a merecida chance? Podem procurar o que andam procurando em discos de bandas grandes e ainda não acharam...

E este EP, contrariando a prática do Metal Samsara, leva nota porque, sinceramente, merece, e muito!

Lembro-os que o EP é digital, logo, comprem na loja oficial da banda, para que a mesma não seja lesada. É criação deles, logo, pague pelo que você ouve.

No Class Festival (30/04/2017 – Casarão Ameno Resedá – RJ)


Promoter: No Class Agency / Cronos Entertainement

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia
Fotos: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Rio de Janeiro, lentamente, está começando a recompor seu cenário Metal, depois de um período conturbado e com shows praticamente vazios. Desta forma, a cidade foi palco para a primeira edição do No Class Festival (Brutal Edition), que apesar das mudanças no cast, mostrou-se um formato promissor para terras cariocas.

O espaço escolhido foi o Casarão Ameno Resedá, no Catete. A casa mostrou-se ampla, com palco tendo boas dimensões e boa acústica. E troçamos que ela possa se tornar mais um point para shows na cidade, pois além do fácil acesso (saindo da estação de metrô do Catete, leva-se apenas 10 minutos para chegar ao local a pé), suas dependências são excelentes.

Como dito, desde seu anúncio até 15 dias, o festival apresentou mudanças em seu cast, e tivemos as seguintes bandas se apresentando: REBAELLIUN (RS), LACERATED AND CARBONIZED (RJ), FUNERATUS (SP), FORCEPS (RJ), D.I.E. (SP), VORGOK (RJ), e 7PELES (RJ). Sete shows em um festival que começou em uma tarde de domingo, véspera de feriado. O público compareceu em bom número, mas poderia ser melhor.

Abrindo o evento, o quarteto 7PELES foi o primeiro a subir ao palco, tendo uma boa qualidade sonora a sua disposição.

Usando de muita teatralidade (os integrantes tocam mascarados e com suas identidades mantidas em sigilo) à lá CULT OF FIRE e BATUSHKA. O estilo do grupo é aquele Black Metal de raiz, sem exageros técnicos, e em uma forma inspirada no trabalho do MAYHEM de sua fase mais clássica (ou seja, remetendo aos tempos de “De Mysteriis Dom Sathanas”), com riffs duros e envolventes, baixo e bateria em um trabalho sólido e em seus devidos lugares, e vocais urrados no melhor estilo. 

Como já mencionado, a postura de palco é ótima, e a toda essa ambientação macabra dá um toque especial ao trabalho do quarteto. E canções como “Qayin”, “Abaddon” e “Heylel” mostram o quanto a banda pode dar ao cenário, sem contar que visualmente é diferenciada do que existe por aí.

Mais shows, e que venha logo o primeiro disco!




Após o intervalo, veio o quarteto Thrasher carioca VORGOK, que teve alguns problemas com o som, mas foi se ajustando e dando mostras de que seu trabalho é promissor.

Edu Lopez (guitarra, vocais), Bruno Tavares (guitarras), João Wilson (baixo) e Renato Larsen (bateria) subiram ao palco com sangue nos olhos, e detonaram um set muito bom, baseado nas canções de seu primeiro álbum, “Assorted Evils”. O som é o bom e velho Thrash Metal Old School, agressivo e cheio de energia, transposto para os nossos tempos (por isso soa tão bem aos ouvidos e tão cheio de frescor e energia de sobra). A banda se mostrou bem solta no palco, especialmente Edu e Bruno (em que pese que João precisa se soltar mais, pois ainda está muito parado no palco). 

E músicas como “Last Nail in Our Coffin”, “Hell’s Portrait” e o hit “Hunger” são mostras de como a banda pode oferecer ao estilo em termos de Brasil, cheias de uma energia crua e envolvente.

O somo deles é uma chicotada das boas, logo, aproveitem!

Setlist:

Deception in Disguise (intro)
Last Nail in Our Coffin
Headless Children
Man Wolf to Man
Hell’s Portrait
Kill Them Dead
Hunger




Seguindo a tarde, estreando em terras cariocas, foi a vez do D.I.E., quarteto de Hardcore/Crossover de Botucatu (SP).

Alguns problemas com microfonias apareceram logo nas primeiras músicas, mas logo foram se resolvendo, e o experiente quarteto mostrou a que vem, e deixou muitos fãs babando. Charles Guerreiro (vocais), Hell Hound (guitarras), Roger Vorhees (baixo) e Mortiz Carrasco (bateria) fizeram um show cheio de energia, que a princípio o público observava. Mas bastou algumas brincadeiras com o público, e “homenagens” de Hell Hound a pastores televisivos e uma sinergia surgiu entre público e banda. Boa comunicação, postura sempre de primeira, a banda mostrou músicas de seus dois trabalhos, os EPs “D.I.E.” e “D.I.E. 2”, como “D.I.E.” (que teve clipe excluído do Youtube há um tempo atrás), “Lost” (faixa do novo vídeo), a inédita “O Tédio, o Ódio, o Ócio e a Reflexão”, entre outras. 

Que voltem logo ao Rio de Janeiro!

Setlist:

O Tédio, o Ódio, o Ócio e a Reflexão (próximo single, em gravação)
Truth like Yourself
Predicted
Religion
Tit for tat
Die
Space
Lost




Seguindo, a casa estava com um publico maior e a noite começava a cair na cidade quando o quarteto FORCEPS subiu ao palco e detonou um show irrepreensível. 

Se preparando para o lançamento do álbum, chamado “Mastering Extinction”, Doug Murdoch (vocais), Bruno Tavares (guitarras), Thiago Barbosa (baixo) e Emmanuel Iván (bateria), detonaram um set arrasador, que provocou alguns slamdancings na casa, mesmo com a qualidade sonora não ajudando muitas vezes.

Misturando músicas do vindouro álbum (que está na boca do forno) e do EP “Humanicide”, o quarteto mostrou uma postura de palco ótima, com bastante movimentação, e desencadearam uma energia empolgante, levando o público a agitar muito. E sons novos como “Mastering Extinction”, “Transdiferrentiated Nano-cells”, mais músicas antigas como “Processing Human Brains” e “Transmutation of Internal Organs” já mostram um FORCEPS coeso e de alto nível. Talvez a banda não caiba mais nem no Brasil com esse nível de performance!

Setlist:

Mastering Extinction 
Transdiferrentiated Nano-cells
Human Cryptobiosis 
Processing Human Brains (ep)
Transmutation of Internal Organs (ep)
Atrocities




Seguindo a noite, os veteranos paulistas do FUNERATUS retornaram, após 13 anos, à cidade do Rio de Janeiro, e não desapontaram. E a qualidade de som da banda se apresentavam em bom nível.

O trio de Mococa (SP) veio com tudo, Fernando (baixo, vocais), André Nálio (guitarras) e Guru Reis (bateria) mostraram o entrosamento que os mais de 20 anos de atividade lhes conferiu. Seu jeito tradicional de fazer Death Metal à lá MORBID ANGEL, AUTOPSY com aquela pegada Thrash Metal Old School de DESTRUCTION e mais influências diversificadas criaram sinergia imediata com o público. 

Energia vertendo de forma causticante, a banda tem boa movimentação no palco, se comunica muito bem com o público, e detonou um set ótimo com canções antigas como as já clássicas “Storm of Vengeance”, “Chaos and Death” e “Accept the Death”, mas o trio apresentou uma nova, chamada “Asphalt Eaters”, que estará no CD novo deles que sai no segundo semestre. 

Avante, FUNERATUS, e espero que não levem 13 anos para voltarem a Rio!

Setlist:

Instrumental
Indian Healing
Storm of Vengeance
Chaos and Death 
Echoes in Eternity
Accept the Death 
Asphalt Eaters




Mais um intervalo, e eis uma introdução de tiros e sirenes de carros de polícia anuncia que o quarteto carioca LACERATED AND CARBONIZED está no palco para desencadear o caos.

Onde quer que Jonathan Cruz (vocais), Caio Mendonça (guitarras), Paulo Doc (baixo) e Victor Mendonça (bateria) passem, é massacre sonoro do início ao fim, sempre com uma apresentação cheia de energia, agressividade e brutalidade.

A qualidade de som, de início, não estava 100%, mas foi se ajustando. Mesmo assim, a banda apresentou um setlist muito bom, pois abriram logo de cara com as pedradas “L.A.C.” e “Third World Slavery”, para logo abordarem canções do terceiro álbum, “NarcoHell”, como “Spawned in Rage” e a própria “NarcoHell”. O set foi ótimo, a banda perfeita em cada aspecto. Mas bem que poderiam colocar umas velhas canções de “Homicidal Rapture” no setlist, especialmente “Abiogenesis”.

Não percam os shows da banda, pois este foi o primeiro da tour!

Setlist:

L.A.C.
Third World Slavery
Spawned in Rage
NarcoHell
Awake the Thirst
O Ódio e o Caos
Blooddawn
Bangu 3
Severed Nation
Seeds of Hate
System Torn Apart
Mundane Curse




Por fim, fechando a noite, o grande nome do festival: os gaúchos do REBAELLIUN, lendário grupo de Death Metal do RS, pisaram em terras cariocas novamente após 15 anos.

E assim, Lohy Fabiano (baixo, vocais), Fabiano Penna (guitarras) e Sandro Moreira (bateria) vieram para realmente desencadear o caos no Rio de Janeiro!

A banda abriu o seu set com o cover que gravaram para “Day of Suffering”, do MORBID ANGEL, e o setlist priorizou “The Hell’s Decrees” de tal forma que todas as oito faixas do disco foram executadas!

Sim, todas elas, com pontos altos em “Affronting the Gods”, “Legion” e “Anarchy”. Mas os fãs de longa data, embevecidos por poderem ver o trio mais uma vez ao vivo, ainda tiveram o gostinho do passado quando a banda disparou sem dó músicas como “Unborn Consecration” (de “Annihilation”), e “Killing for the Domain”, “The Legacy of Eternal Wrath” e a clássica de veloz “At War”, vindas de seu clássico primeiro disco, “Burn the Promised Land”. Mas bem que algumas de “Annihilation”, como “Bringer of War” e a própria “Annihilation” poderiam ter entrado no setlist.

Os Senhores da Guerra estão de volta, e voltaram com tudo!

Setlist:

Day of Suffering
Affronting the Gods
Legion
Dawn of Mayhem
Crush the Cross
Anarchy
Spawning the Rebellion
Fire and Brimstone
Rebellion
The Path of the Wolf
Unborn Consecration
Killing for the Domain
The Legacy of Eternal Wrath
At War




No mais, agradecemos a No Class Agency e a Cronos Entertainement por tornar esta resenha possível, ao Casarão Ameno Resedá pelo espaço (e esperamos retornar para outros shows de Metal/Rock em suas dependências), às bandas pelos ótimos shows que nos proporcionaram, e aos fãs que compareceram.