6 de mai de 2017

SILVER MAMMOTH: novo trabalho do grupo já pode ser adquirido em pré-venda


A banda paulista SILVER MAMMOTH acabou de anunciar o período de pré-venda do seu novo trabalho, intitulado “Silver Mammoth Singles”.

Para garantir o seu exemplar com desconto, acesse: silvermammothband.com (ícone loja). Lá você terá várias formas de pagamento, ou se preferir, envie um e-mail para: contato@silvermammothband.com. Garanta já o seu com desconto.

O referido material será lançado no próximo mês de julho, nos formatos digital e vinil 7”. A produção contou com as assinaturas de Marcelo Izzo e Rafael Agostino.

A arte da capa de “Silver Mammoth Singles” foi composta pelo designer João Duarte, mesmo profissional que assinou a arte da capa de “Mindlomania”, terceiro álbum do SILVER MAMMOTH.

Para mais informações sobre as atividades da banda SILVER MAMMOTH e dos demais clientes da empresa, basta entrar em contato com a MS Metal Press através do e-mail contato@msmetalagencybrasil.com.

ROADIE METAL VOLUME 9 (COMPILAÇÃO)


2017
Independente
Nacional

Nota: 8,7/10,0


Tracklist:

CD 01:

1. RUINS OF ELYSIUM - Serpentarius
2. OLDER JACK - Wahnsinn
3. PATO JUNKIE - The Rag Doll
4. STONERIA - Latino Americano
5. DEMONS INSIDE - Remorse, Effect of Traumas… Remains
6. LASTING MAZE - Forsaken Land
7. CÁLIDA - Viemos Para Ficar
9. LO HAN - Waiting for You
10. PÁTRIA REFÚGIO - Guerras Atuais
11. STONEX - Maggots (In My Brain)
12. OZOME - Tudo Veio da Lama
13. MARCO ZERO - Efeito Moral
14. INDOMINUS - The Arsonist
15. IN THE SENT - Dar o Culto da Manhã
16. ATTIVITA POWER TRIO - Vestido de Seda
17. LEXUZA - Natural


CD 02:

1. HEAVENLESS - Hatred
2. CORE DIVIDER - Ignorance
3. COAST TO COAST - Alive
4. CONCEPT OF HATE - Black Stripe Poison
5. VULTURES - A Strange Land
6. UNKNOWN CODE OF EXISTENCE - We Are Not Mere Aliens
7. R.I.V. - Headache
8. PATRICK PEDROSO - Only Ashes
9. ELIZABETHAN WALPURGA - The Serpent’ Eyes and the Horns Of Crown
10. INFERMS - Sadistic Desire
11. VILETALE - Vile
12. SAGRAV - The Lynching
13. TORMENTORS - For Hate
14. VISCERAL - Maldito
15. LASCADOS - Sem o Próprio Chão
16. BRUNO F. VASCOTIM - Resurrected
17. RINITS HORROR SHOW - Morte de Verão


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


E eis que chega o nono volume da já conhecida e aclamada coletânea Roadie Metal, elaborada pelo apresentador/assessor de imprensa Gleison Júnior, trazendo uma seleção variada de nomes emergentes da cena nacional. 

E nela, não vale radicalismo. Todos os estilos de Metal, e mesmo de Rock’n’Roll possuem espaço. Na coletânea, temos aquilo que deveria ser o cenário do Metal nacional: todos com espaço e em respeito ao que o outro gosta, mesmo não gostando (é uma utopia, eu sei, mas não desisto do sonho da unidade e respeito mútuo). E por esta diversidade, tudo fica em alto nível.

Como sempre, é preciso dizer que a qualidade sonora varia muito de banda para banda, pois muitas já possuem trabalhos lançados, outros estão na luta e outros ainda lutam com dificuldades técnicas e financeiras nesse sentido. Mas todas merecem respeito por seus esforços.

Como a coletânea é dupla, é difícil falar de todas as bandas, mas como dito acima, todas merecem muito respeito por sua iniciativa, por sua vontade de ferro de não ficarem à mercê da vida e esperando que tudo venha a cair dos céus (lembrando que apenas chuva e aviões mal abastecidos caem do céu). Mas destacaremos algumas por mera referência.

No CD1, não há como não citar o belíssimo trabalho do RUINS OF ELYSIUM em “Serpentarius” (Symphonic Metal grandioso, adornado com lindas melodias, teclados belíssimos e lindos vocais femininos), a força do  OLDER JACK em “Wahnsinn” (Thrash/Tradicional com letras em alemão e muita pegada, com ótimas guitarras), a energia do PATO JUNKIE em “The Rag Doll” (uma mistura de Metalcore com Crossover e outros muito boa, mostrando uma cozinha rítmica coesa e com boa técnica), a porrada Stoner Rock do STONERIA “Latino Americano” (com aquele jeitão meio setentista e psicodélico de ser),  a força experimental, pesada e melodiosa do THE PHANTOMS OF THE MIDNIGHT em “Midnight”, o Hard setentista e introspectivo do LO HAN em “Waiting for You”, e o Metal mais tradicional cheio de energia do MARCO ZERO em “Efeito Moral”. 

Já no CD 02, o brutal Death/Thrash do HEAVENLESS em “Hatred”, a porrada seca e grooveada do CORE DIVIDER com “Ignorance”, a energia jovem e moderna do COAST TO COAST em “Alive”, a forja de ódio Crossover/Thrash Metal do CONCEPT OF HATE em “Black Stripe Poison”, o trabalho ótimo de PATRICK PEDROSO ouvido em “Only Ashes” (instrumental Fusion Rock melodiosa onde a guitarra fala por si mesma), a força agressiva e azeda do ELIZABETHAN WALPURGA no Black/Metal tradicional em “The Serpent’ Eyes and the Horns Of Crown”, a explosão Death Metal intensa e brutal do INFERMS em “Sadistic Desire”, o Thrash Metal Old School do TORMENTORS em “For Hate”, e o Hardcore melódico e ganchudo do RINITS HORROR SHOW em “Morte de Verão” são os que se destacam.

No mais, todas as bandas estão de parabéns, desejamos a elas toda sorte do mundo. E agradecemos ao Roadie Metal por ser um espaço para todos aqueles sem espaço.

E aos leitores, o programa Roadie Metal vai ao ar todas as quintas (das 20:00 às 23:00 horas), e aos sábados (das 14:40 às 16:15 horas) no Canal Felicidade.

APPLE SIN - APPLE SIN (ÁLBUM)



2017
Independente
Nacional

Nota: 8,8/10,0


Tracklist:

1. Intro
2. Sea of Sorrow
3. Darkness of World
4. Apple Sin
5. Another Day
6. Respect
7. Fire Star
8. Black Hole
9. Roaches Blood
10. Roadie Metal


Banda:


Patric Belchior - Vocais
Beto Carlos - Guitarras
Tainan Vilela - Guitarras
Raul Lourenço - Baixo


Philippe Belchior - Teclados

Eduardo Rodrigues - Bateria


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


E de Barroso, em Minas Gerais, vem uma banda que mostra o que é progredir em todos os termos, mesmo sem abrir mão de absolutamente nada do que já haviam feito: o APPLE SIN.

Se no EP “Fire Star”, de 2015, a banda mostrava que tinha necessidades a suprir, em “Apple Sin”, seu primeiro álbum, eles mostram que evoluir é com eles, mesmo sem abrir mão de sua identidade musical.

O estilo da banda nada mudou: continua sendo aquele bom e velho Metal tradicional com muita influência da NWOBHM. O que realmente está de saltar os olhos em termos evolutivos é que eles conseguiram pôr para fora uma pegada mais agressiva intensa, que não só casa bem com o que eles já haviam mostrado, mas que torna o trabalho deles mais pessoal, e molda a identidade da banda. Se eles já eram um bom nome, agora estão alguns passos adiante. E sim, as linhas melódicas, bons vocais à lá Brice Dickinson, guitarras ferozes em riffs intensos e solos com boa dose de melodia, baixo e bateria com boa técnica e pegada pesada, e alguns teclados aqui e ali (uma contribuição do convidado especial Philippe Belchior, hoje efetivado na banda). 

Ou seja: o APPLE SIN soube mostrar quem eles são de verdade!

A produção de Eduardo Rodrigues (baterista do grupo) acertou a mão. Se ainda não é perfeita (pois para isso, só se Martin Birch deixasse a aposentadoria e viesse fazer a produção deles), já mostra que soube melhorar em tudo. Os timbres instrumentais dão enfoque ao lado mais agressivo da música do quinteto, sem deixar que as melodias preciosas de seu trabalho sejam obliteradas. Além disso, todos os arranjos estão mais evidentes aos ouvidos.

A evolução do APPLE SIN fica evidenciada nas regravações de “Darkness of World”, “Apple Sin”, “Fire Star” e “Black Hole”, que ganharam peso e melodia, mas aquela dose de agressividade seca que elas mereciam. Além disso, nas outras canções, se percebe que a banda realmente se esforçou para por mais de si em cada uma delas. E isso torna a audição de “Apple Sin” uma experiência maravilhosa.

Melhores momentos: a força de “Sea of Sorrow”, pesada e com boa técnica, com andamento mais arrastado e climático, além do ótimo trabalho de guitarras (sem contar na intervenção providencial dos teclados); as guitarras furiosas de “Darkness of World” surpreendem o ouvinte, mas isso sem mencionar a força de baixo e bateria (que estão de primeira); a Hard’n’Heavy e cheia de melodias envolventes “Apple Sin” (reparem bem no refrão, bem como a interpretação dos vocais é ótima); o peso pesado cativante de “Another Day”; a climática e terna “Respect” e seu jeito introspective de ser (onde mais uma vez os vocais estão excelentes); e a energia intensa de “Roaches Blood”. Mas interessante é notar a homenagem ao programa Roadie Metal na faixa “Roadie Metal”, em uma música puramente NWOBHM, com lindas linhas melódicas.

Óbvio que o APPLE SIN ainda pode render mais, mas “Apple Sin” os credencia para voos mais altos.

Ouça, e abuse do volume!

PROFECIA DO CAOS - PREGAÇÃO DA MALDIÇÃO (ÁLBUM)



2017
Independente
Nacional

Nota: 8,2/10,0


Tracklist:

1. Intro/Profecia
2. Olhos Vendados
3. Punição
4. Nostradamus
5. Pilhagem
6. Apocalipse de Ódio
7. Visões
8. Pregação da Maldição


Banda:


Edu Kammer - Vocais
Fábio Basso - Guitarras
Natanael Leda - Guitarras
Fernando Mohammed - Baixo
Brenner Valverde - Bateria


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A cena de Mingas Gerais como um todo tem forte traço conservador. Ou seja, a maior parte das bandas de terras mineiras prefere fazer qualquer tipo de estilo de Metal de uma forma mais à moda antiga. Não é uma característica ruim, e muito menos este autor está criticando essas bandas por isso. Mas digamos assim: um uma cena com tanta força conservadora, encontrar um grupo como o PROFECIA DO CAOS (de Poços de Caldas) chega a ser surpreendente. E o primeiro disco deles, “Pregação da Maldição”, é mais que bem vindo.

Misturando uma forma bem agressiva e intensa de Metalcore com influências de HC moderno e mesmo traços de Death Metal, o quinteto mostra força e vitalidade. Mas é bom que se diga: a força do grupo é feita em arranjos simples e uma sonoridade moderna, fugindo da técnica exacerbada comum no Metalcore. Além disso, os vocais são focados em urros quase guturais e gritos rasgados, sem vozes limpas.

E justamente por preferirem esse trabalho mais brutal é que o grupo é muito bom.

Produzido pelo próprio grupo, com tudo gravado, mixado e masterizado no Estúdio Athenas, o grupo conseguiu um resultado muito bom em termos de sonoridade. Sua música soa bruta, cheia de energia e sangra em agressividade, mas sempre com uma qualidade que nos permite compreender o que o grupo está tocando. E essa sonoridade se ajusta perfeitamente ao trabalho do quinteto.

A brutalidade opressiva do grupo tem como alinhavo a boa técnica do grupo, fora que o conjunto soa firme e compacto, como uma unidade. E isso acrescenta pontos, uma vez que a música do grupo é muito boa por si só, nessa mistura insana de guitarras caóticas, vocais urrados, baixo e bateria com peso e pegada brutal. 

O CD tem 8 canções, sendo que a azeda e opressiva “Olhos Vendados” e sua alternância entre momentos velozes e outros um pouco mais lentos (mostrando um trabalho vocal muito interessante, fora baixo e bateria estarem muito bem), a agressiva “Punição” e sua carga pesada de riffs intensos, a dinâmica ganchuda de “Nostradamus” com suas conduções excelentes nos bumbos duplos e nos riffs caóticos, a técnica nada trivial de vocais e guitarras mostrada em “Apocalipse de Ódio”, e a modernidade intensa e impactante de “Pregação da Maldição” (onde o baixo se mostra bem técnico) já o farão pogar de forma louca dentro de sua casa, carro ou seja lá onde estiver.

Uma banda muito boa, e se mostra uma bela revelação.

HERETIC - LEITOURGIA (ÁLBUM)


2015
Independente
Nacional

Nota: 9,3/10,0


Tracklist:

1. Rajasthan Ritual
2. I Am Shankar
3. Lamashtu
4. Ghost of Ganheesha
5. Unleash the Kraken
6. Sensual Sickness
7. Sonoro
8. Solaris
9. Solitude (Black Sabbath cover)
10. The Hedonist


Banda:



Guilherme Aguiar - Guitarras
Laysson Mesquita - Baixo
Diogo Sertão - Bateria
Lucão Sonoro - Tablas, caxixi, djembê, guitarras, sintetizadores adicionais


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No Brasil, mesmo com a alta produtividade, é bem difícil de encontrar bandas fazendo algo novo, diferente de tudo que já se fez dentro do cenário. Mas vez por outra, um surto agudo de pura criatividade aparece por aqui.

E o nome da vez é do quarteto goiano HERETIC, da cidade de Goiânia, que nos chega destruindo conceitos e sendo o escriba de novas fronteiras com “Leitourgia”, seu álbum de 2015.

No disco, temos temas instrumentais experimentais com grande dose de influência musical vinda do Oriente Médio. E diferente de nomes que venham a mente como o NILE (que usa a temática egípcia, mas é totalmente voltado ao Death Metal) ou ORPHANED LAND (que tem uma forte influência étnica, mas prefere o uso de uma linguagem mais verbal), pois justamente por usar apenas partes instrumentais, todas as possibilidades de experimentação estão abertas. E o quarteto sabe como usar cada uma delas, sem medo de errar ou de criarem sem se importarem com o que se diga deles.

Ou seja: é Metal, instrumental, com influência de World Music oriental, e maravilhoso.

Em termos de sonoridade, a banda acertou a mão. 

A qualidade sonora está um pouco suja além do necessário em termos de timbres de guitarras, mas se consegue ouvir os instrumentos sem muito esforço. E acreditem: algo um pouco mais limpo faria desse CD algo perfeito, embora esteja bem longe de estar ruim. Baixo, bateria, teclados e instrumentos adicionais estão bem, mas as guitarras poderiam estar com timbres melhores.

Experimental e distando de qualquer possibilidade de termos a sensação de “eu já ouvi isso antes”, a magia de “Litourgia” nos envolve graças à riqueza instrumental, aos arranjos bem feitos e à dinâmica instrumental de primeira. 

É melhor se darem a chance de sentar e ouvir atentamente este disco, pois não se arrependerão. A força e diversidade musical mostrada em “Rajasthan Ritual” (belíssimas guitarras, tanto nos riffs como nos solos, mostrando boa técnica em todos os momentos), as partes mais agressivas e rápidas de “I Am Shankar” se mesclando com a atmosfera oriental, o experimentalismo pesado e denso de “Unleash the Kraken” (baixo e bateria estão perfeitos aqui, dando peso ao trabalho experimental dos outros instrumentos nas as partes mais Progressivas etéreas), a World Metal Music chamada “Sonoro”, além da versão adaptada para “Solitude”, dos eternos mestres do BLACK SABBATH cover) são atestados de uma banda que quer ir cada vez mais além dentro de sua música.

Um puta disco, sem meios termos!


DR. KONG - PROTAGONISTA (ÁLBUM)


2017
Independente
Nacional

Nota:  8,1/10,0


Tracklist:

1. Protagonista
2. Fale Tudo
3. Honoráveis Primatas
4. Olho do Furacão
5. Consciência
6. Superficial
7. Indignação
8. Não Perca o Humor
9. Rarefeito
10. Passos
11. Me Chame Essa Noite
12. Por Sorte
13. Metanoia


Banda:


Flávio de Carvalho - Vocais
Eliel Carvalho - Guitarras
Gustavo de Carvalho - Guitarras
Gustavo Cachopps - Baixo
Wagner Capucho - Bateria


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


E como sempre, o bom e velho Rock’n’Roll nacional continua rendendo bons frutos. 

A fórmula de técnica simples, melodias acessíveis e partes grudentas (especialmente em cada refrão). E o DR. KONG, um quinteto raçudo vindo de Goiânia (GO) vem mostrar o que tem em “Protagonista”, seu disco de estréia.

Fica óbvia a influência do bom e velho Rock’n’Roll de raiz e toques de Blues, algo bem próximo ao que finado BARÃO VERMELHO fazia (especialmente pelos timbres de voz de Flávio). Mas está longe de ser uma cópia, pois no disco (mesmo usando uma fórmula musical já bastante batida) percebe-se algo vivo, cheio de energia crua e extremamente empolgante. Algo que te faz cantar com a banda cada uma das canções do CD logo na segunda ouvida. É grudento e não solta mais!

Ou seja: é bom demais, e faz bem aos ouvidos.

A qualidade sonora é seca, remetendo bastante aquele som básico do início dos anos 80, sem muitos enfeites. Mas é mais que suficiente para o trabalho do grupo, que precisa mesmo de algo orgânico e direto, mas claro (como se tem no CD). Ou seja, o trabalho de mixagem e masterização, feitos por Eliel Carvalho (guitarrista do grupo) e Guilherme Bicalho, ficaram na medida para o que a música do quinteto pede. Alguns ajustes no futuro seriam bem vindos, mas já está muito bom no nível atual.

O trabalho do DR. KONG é muito bom, usando de uma técnica instrumental simples e eficiente, mas com boa dose de energia. Algo que vem dos arranjos bem pensados, da essência voltada para algo mais visceral e que cria uma sinergia com qualquer bom fã de música.

Embora o disco inteiro seja bom, música como a simples e direta “Protagonista” (bons riffs de guitarra), a energia à lá AC/DC de “Fale Tudo” (mais uma vez, um trabalho de guitarra muito bom, em especial nos solos) e de “Olho do Furacão” (aqui, se percebe aquela aura Blues/Rock ganchuda e bem feita, onde baixo e bateria marcam presença muito bem), o jeito pesado e azedo da Bluesy “Consciência”, a quase Metal “Superficial”, a belíssimas baladas Rocker “Não Perca o Humor” (aqui os vocais estão muito bem) e “Me Chame Essa Noite” (esta tem uma força incrível nas guitarras mais limpas), e a intensa e clara referência ao Blues sulista norte-americano em “Metanoia” irão te fazer cantar e dançar como se não houvesse amanhã. Aliás, é o que todos merecemos.

Um disco muito bom para se curtir na estrada ou em uma balada. E para se ouvir em casa também.

Sejam bem vindos!

DATAVENIA - WELCOME TO THE UNDERGROUND (ÁLBUM)



2017
Independente
Nacional

Nota: 9,1/10,0


Tracklist:

1. Welcome to the Underground
2. Hate to the Bones
3. Metal God
4. Even if It Dies
5. The Last Chance
6. Hot Ginger Woman
7. Bang Your Head
8. Bad Days
9. Rescue Me
10. Unprotected 


Banda:


Guilherme Mello - Vocais, guitarras
Guilherme Argenta - Baixo, vocais
Gabriel Quatrin - Guitarras
Eduardo Pegoraro - Bateria


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Site Oficial: 
Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Já é de domínio público de todos que o brasileiro, apesar de seus problemas sociais e educacionais, é um povo altamente musical. A base para tal afirmativa vem da capacidade do nosso povo em assimilar influências musicais vindas do exterior, e as colocar para fora de uma forma diferente do que recebeu, e muitas vezes, diferente do que já existe previamente. E o Metal nacional ganha muito com isso, em que pese que a mania de “eu sou europeu” de muitos brasileiros os façam desprezar o que é feito de bom por aqui (mais aulas de Geografia para eles, por favor).

E o DATAVENIA, banda de Frederico Westphalen (RS) mostra justamente esta capacidade no ótimo “Welcome to the Underground”.

A banda faz um híbrido entre o Metal tradicional com o peso e suingue do Groove Metal e um alinhavo Thrash Metal à lá METALLICA da fase “Black Album”. Assim, a banda ganha peso e agressividade, sem perder nunca sua vertente melodiosa e com arranjos musicais bem feitos. Ou seja, há uma propensão, uma necessidade de ser diferente, e de mostrar uma personalidade musical diferente. E quem ganha com isso somos nós.

O trabalho do quarteto é excelente!

Com produção do próprio quarteto e de Moris Drumms, a qualidade sonora de “Welcome to the Underground” é muito boa, soando pesada, intensa e limpa, mas sem que perca peso e agressividade. Tudo está em seu devido lugar; os timbres foram escolhidos sabiamente. Mas ao mesmo tempo, se percebe uma necessidade de não “enfeitar demais o pavão”, ou seja, em soar o mais orgânico e natural possível.

Musicalmente, o DATAVENIA se mostra bastante maduro para um disco de estréia. Mas com 10 anos de experiência nas costas e muita revolta, percebe-se que o grupo andou caprichando no momento de compor, arranjando cada música de forma única, mas sem que elas perdessem a espontaneidade. Vocais agressivos em tons normais, guitarras com riffs ótimos e solos melodiosos, baixo e bateria entrosados e soando com uma dose enorme de peso. E tudo isso se une de forma harmoniosa para formar o trabalho do quarteto, que é adornado por belas linhas melódicas.

E tudo isso transforma canções como a trampada e agressiva “Welcome to the Underground” com seu groove seco e agressivo (reparem bem no refrão ganchudo e nas guitarras esbanjando agressividade nos riffs e melodias nos solos), a opressão envolvente de “Metal God” e seu andamento mais lento (mostrando como baixo e bateria são importantes para a banda, sem falar no belo trabalho dos backing vocals), as mudanças de ritmo de “Even if It Dies” e suas linhas melódicas bem definidas, a belíssima e envolvente “The Last Chance” (uma típica balada de refrão pesado, mas diferentemente do modelo comum, a acessibilidade musical não é quebrada nem mesmo no refrão, e isso nos mostra a versatilidade dos vocais), o groove melodioso, descompromissado e azedo de “Hot Ginger Woman”, a sombria e sentimental “Bad Days” (outra aula de como variar timbres de voz, fora belos arranjos de guitarra), e a rápida e opressiva “Unprotected” em momentos memoráveis, e garantimos que a audição do disco como um todo é algo maravilhoso.

Se no primeiro disco estão nesse nível, o segundo será um clássico do Metal nacional!

THE WASTED – ROTTEN SOCIETY (Álbum)


2017
Independente
Nacional

Nota: 8,3/10,0


Tracklist:

1. Genocide
2. Everything is Under Control
3. Preachers of Hate
4. Heritage
5. Cannibals
6. Heart Attack
7. Hate Mankind Hate
8. Rational Madness


Banda:


Neto Silver - Vocais, baixo
Rafael Oliveira - Guitarras
Lina Kruze - Guitarras
Rodrigo Mariano - Bateria


Contatos:

Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal mais sujo e artesanal ainda guarda boas surpresas. Isso se deve ao fato de que, no fundo, nada está esgotado em termos de potencial musical. As possibilidades criativas são infinitas, se as bandas souberem fugir do ponto comum e tiverem personalidade própria. 

E tal serviço parece não assustar o quarteto de Tatuí (SP) THE WASTED. Mesmo com apenas 5 anos de estrada, eles já tem um EP e ouve-se em “Rotten Society” uma banda com potencial para ir ainda mais longe.

Essencialmente, o grupo toca Thrash Metal, um formato híbrido de SLAYER com METALLICA e TESTAMENT. Mas só que existem influências diversificadas na mistura: um pouco de HC aqui, toques à lá ICED EARTH e JUDAS PRIEST em alguns pontos, boas linhas melódicas, e algum groove mais azedo aqui e acolá. Obviamente, a mistura que eles criaram é bem homogênea e pessoal, mas ela ainda pode ser muito explorada. E como o grupo ainda é jovem, as possibilidades são infinitas!

Traduzindo: o grupo é muito bom!

A gravação, mixagem e masterização foram feitas por Rodrigo Mariano (baterista do quarteto), e a sonoridade do grupo ficou pesada e clara, nos permitindo compreender o que o grupo está tocando e onde eles querem chegar com seu trabalho musical. Mas poderia ser melhor, pois está um pouco crua além do ponto necessário. Nada que atrapalhe, mas com um trabalho desses, a banda merece uma qualidade sonora melhor.

Pesado, intenso e empolgante, “Rotten Society” mostra uma banda que está lutando por seu lugar ao Sol com todas as forças. Mas eles têm tudo para chegar lá, já que guitarras faiscantes em bases pesadas e solos muito bons, baixo e bateria criando uma base rítmica sólida e bem trabalhada, e vocais eficientes (que podem melhor um pouco em termos de agressividade). E isso somado à multiplicidade de influências musicais que eles têm, é a receita certa para um trabalho musical de primeira.

“Rotten Society” é muito bom como um todo, mas destacam-se as seguintes canções: “Genocide” com seu andamento variado e envolvente (adornado por bases perfeitas de guitarra, fora solos melodiosos), a raivosa e sinuosa “Everything is Under Control” (aqui se percebe alguns toques de Hardcore e Thrash Metal Old School, algo vindo de “Show No Mercy”, do SLAYER), a força um pouco mais melodiosa de “Preachers of Hate” (onde a força Thrasher da banda recebe uns toques melodiosos à lá ICED EARTH, e sem mencionar o ótimo trabalho de baixo e bateria), além da força intensa, peso e agressividade de “Hate Mankind Hate” (mais uma vez, a banda mostra um trabalho técnico muito bom).

No mais, “Rotten Society” mostra como o grupo tem potencial, e se bem trabalhado, nos dará um nome forte no cenário nacional em breve.