13 de mai de 2017

HELLISH WAR - DEFENDERS OF METAL (ÁLBUM - Relançamento)


2017
Nacional

Nota: 9,2/10,0


Tracklist:

1. Into the Battle
2. Hellish War
3. We Are Living for the Metal
4. Defender of Metal
5. The Sign
6. Gladiator
7. Into the Valhalla
8. Sacred Sword
9. Memories of a Metal
10. Feeling of Warriors
11. The Law of the Blade


Banda:


Roger Hammer - Vocais
Vulcano - Guitarras
Daniel Job - Guitarras
Gustavo Gostautas - Baixo
Jayr Costa - Bateria


Contatos:

Instagram:
Bandcamp:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Hoje em dia, existe uma enorme gama de bandas que segue os velhos caminhos do Metal dos anos 80. Infelizmente, a maioria acaba se destruindo devido ao mal uso de clichês, ficando idêntico a coisas que já foram lançadas anteriormente. Mas existem aqueles que conseguem transformar o gênero, reescrever as regras e fazer algo relevante, sem ser apenas uma imitação do que já se passou. Neste grupo de ótimos nomes, temos o quinteto brasileiro HELLISH WAR, com mais de 20 anos de muitas lutas no cenário. E justamente agora, no momento em que a banda comemora 15 anos do lançamento de seu primeiro CD, justamente “Defenders of Metal” é relançado, para a alegria de muitos.

O que se tem em “Defenders of Metal” é o bom e velho Metal germânico da primeira metade dos anos 80, seguindo a linha de GRAVE DIGGER, RUNNING WILD, ACCEPT e HELLOWEEN em seus primeiros trabalhos. Ou seja, é uma sonoridade forte e vigorosa, toda estruturada sobre alicerces melodiosos bem feitos. Nada muito complexo em termos técnicos, mas a banda toda sabe tocar seus instrumentos em um nível onde peso e melodia são mais importantes. Mas calma: se tem uma coisa que o quinteto tem (e sempre teve) é personalidade forte, e não copiam ninguém.

Resumindo: é uma música ótima, que nos embala e conquista sem esforços.

A produção de “Defenders of Metal” ainda está muito longe do que a banda precisava para mostrar a pujança de sua música. Mas mesmo assim, com essa crueza além do necessário, é claro que o grupo é inspirado e eles mostram força em suas composições, algumas delas já clássicas. E mesmo assim, é compreensível o que eles estão fazendo.

A capa, por si mesma, já reflete todas as dificuldades da época. O desenho é simples, mas deixa clara a proposta musical do quinteto.

Arranjos pesados, andamentos variados, guitarras roncando em riffs e solos inspirados, base rítmica muito boa, vocais antenados com a proposta sonora do grupo, e cada refrão foi lapidado de forma que entra nos ouvidos e a banda ganha mais um fã.

E não se pode negar que 16 anos não retiraram o brilho de composições como a clássica e envolvente “Hellish War” com seu refrão marcante e excelentes guitarras; a excelente “We Are Living for the Metal” e seu trabalho de primeira na base baixo-bateria, mesmos elementos encontradas em “Defender of Metal” (outro refrão marcante, tempos em velocidade mediana e ótimos vocais), a mais cadenciada “The Sign” e seu charme melodioso, a dose de peso devida que ouvimos na trabalhada “Into the Valhalla”, fora o trabalho de lapidação e arranjos bem feitos das longas “Sacred Sword” e “Memories of a Metal”, e é quase como se ambas as canções se completassem em perfeita harmonia. E isso sem falar na ganchuda, também longa “The Law of the Blade”, que é recheada de riffs e duetos lindos de guitarra.

Se não tem o disco por conta dos anos ou porque nunca teve a oportunidade, eis aí sua chance.

O HELLISH WAR é motivo de orgulho para o headbanger brasileiro.

KEEP IT HELLISH!


ELIZABETHAN WALPURGA - WALPURGISNACHT (ÁLBUM)


2017
Nacional

Nota: 9,4/10,0


Tracklist:

1. Exordium
2. Vampyre
3. Clamitat Vox Sanguinis
4. Infernorium
5. The Serpent’s Eyes and the Horns of Crown
6. The Elizabethan Dark Moon
7. The Canine Enchantment by the Phlebotomy (In the Julgular Streams)
8. Transylvanian Cry
9. Walpurgisnacht


Banda:


Leonardo “Mal’lak” Alcântara - Vocais
Erick Lira - Guitarras
Breno Lira - Guitarras
Renato Matos - Baixo
Arthur Felipe Lira - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


A latinidade do brasileiro é capaz de transformar o Metal feito no exterior em algo novo e personalizado. Muitas vezes, se diz que o brasileiro é um povo muito musical, logo, eis a explicação para tal afirmação. E não estranhem se o veterano quinteto pernambucano ELIZABETHAN WALPURGA, de Recife, os seduzir de forma contundente, pois isso é uma de suas características mais marcantes, como o primeiro álbum da banda, “Walpurgisnacht” (lançado depois de mais de 20 anos de luta), deixa claro.

É preciso deixar claro que a banda faz algo que poderíamos classificar como Heavy/Black Metal. Ou seja: os vocais são característicos do Black Metal, mas o instrumental é claramente uma criação cheia de harmonia e belas linhas melodiosas, bem calcadas no Metal tradicional. Em alguns momentos mais agressivos, o grupo parece carregar influências do MYSTIC CIRCLE, mas isso não os torna menos originais por isso. A proposta do grupo é bem diferente.

Produzido pelo próprio quinteto, e tendo a mixagem e masterização de Nenel Lucena, a sonoridade de “Walpurgisnacht” é mais crua do que o necessário. Mas mesmo assim, é mais que suficiente para se perceber que o quinteto sabe o que fazer de sua música. E, além disso, o peso e agressividade estão bem evidenciados.

Bem trabalhado, arranjos musicais bem feitos, timbres que se adaptam bem tanto ao lado agressivo como às partes melodiosas, solos melodiosos muito bem encaixados, e muita disposição em não ser apenas mais um é o que o quinteto nos oferece. E justamente por isso soa tão bem aos ouvidos. E ainda existem convidados especiais para dar aquele brilho a mais às canções: Nenel Lucena faz alguns backing vocals em “Infernorium”, assim como Gustavo Coimbra (em “The Elizabethan Dark Moon” e “Walpurgisnacht”), e Rogério Mendes (também em “Walpurgisnacht”).

Os destaques do CD são: a climática, bem trabalhada e soturna “Clamitat Vox Sanguinis” (onde as bases e solos de guitarra se destacam no meio das melodias e técnica que nos lembram o MERCYFUL FATE dos anos 80), a intensa e cativante “Infernorium” (baixo e bateria estão ótimos, criando uma base variada, que ora tende para o Heavy/Power Metal, ora para o Metal extremo), o trabalho ótimo de vocais e guitarras de “The Serpent’s Eyes and the Horns of Crown” e em “The Elizabethan Dark Moon”, os momentos mais lentos e introspectivos de “The Canine Enchantment by the Phlebotomy (In the Julgular Streams)” (onde o lado mais extreme da banda fica mais aparente, e a participação especial dos backing vocals, além de belos momentos mais limpos), e as fascinantes melodias sombrias de “Transylvanian Cry” e “Walpurgisnacht”. Todas ótimas canções, e as que foram deixadas de foram são excelentes da mesma forma.

O ELIZABETHAN WALPURGA vem com seu primeiro CD para provar que o Brasil tem grandes nomes, sim senhor!



THE DOOMSDAY KINGDOM - THE DOOMSDAY KINGDOM (ALBUM)


2017
Shinigami Records / Nuclear Blast Brasil
Nacional


Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Silent Kingdom
2. Never Machine
3. A Spoonful of Darkness
4. See You Tomorrow
5. The Sceptre
6. Hand of Hell
7. The Silence
8. The God Particle



Banda:


Foto: Paul Verhagen
Niklas Stålvind - Vocais
Marcus Jidell - Guitarras
The Doomfather - Baixo
Andreas Johansson - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://www.doomsdaykingdom.se/
Facebook: https://www.facebook.com/thedoomsdaykingdom/
Twitter:
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC2U9RdK1meIEkqPJAoDZXKA
Instagram:
Bandcamp: https://thedoomsdaykingdom.bandcamp.com/
Assessoria:



Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia




Muitos são os casos em que o nome de um músico pode estar associado ao Metal como um todo, ou a uma de suas muitas vertentes. Exemplos não faltam: Chuck Schuldiner é sinônimo de Death Metal, Ozzy de Metal (talvez o mais icônico de todos), James Hetfield no Thrash Metal, entre milhares de outros... E os nomes desses acabam dando confiabilidade a trabalhos que façam fora de seu estilo costumeiro. Em termos de Doom Metal, o nome de Leif Edling, baixista e líder do lendário CANDLEMASS, tem o mesmo efeito no Doom Metal, pois ele afere que podemos esperar algo de bom vindo dele. E sob o pseudônimo de The Doomfather, ele nos proporciona o “The Doomsday Kingdom”, primeiro disco de seu novo projeto, THE DOOMSDAY KINGDOM.

O estilo do disco é bem óbvio: Doom Metal pesado e azedo até o âmago. 

Sim, o que temos aqui é o bom e velho Doom Metal, que segue a linha mais tradicional possível, onde vemos a calara influência de bandas como WITCHFINDER GENERAL, SAINT VITUS e, obviamente, BLACK SABBATH. Mas ao mesmo tempo, mesmo sendo um estilo já bem usado, o trabalho do quarteto pulsa com forte personalidade musical, além de um senso de melodia apurado (em algumas partes de “The Silence”, existem claros toques melodiosos). Ou seja, existem momentos sombrios e realmente introspectivos, e com linhas melódicas que nos seduzem nas primeiras ouvidas.

Sem ser complexo ou inovador, o THE DOOMSDAY KINGDOM é ótimo!

A produção é do guitarrista Marcus Jidell, e ele acertou a mão. Mas méritos devem ser dados a David Castillo pela mixagem e a Jens Bogren pela masterização. Soando pesado e moderno, cheio de energia, mas mantendo aquela sujeira essencial ao gênero, a qualidade sonora de “The Doomsday Kingdom” nos permite compreender o que a banda faz em termos musicais, o que ela deseja de seu trabalho. 

Além disso, o trabalho visual que Erik Rovanperä para a capa é ótimo, usando tons escuros e uma arte muito boa, fora o layout do próprio Leif ter ficado ótimo.

As composições de “The Doomsday Kingdom” são muito pesadas e intensas, mas com uma preocupação com a estética melodiosa do trabalho. E mesmo sem reinventarem a roda, o THE DOOMSDAY CEREMONY consegue soar diferente dos outros trabalhos de Leif, bem como das outras bandas do mesmo estilo.

O disco se nivela por cima, e temos como destaques (apenas como uma referência para o leitor se basear em suas primeiras audições) as ótimas linhas melódicas, riffs e solo da envolvente “Silent Kingdom” (e que ótimo refrão, além de backing vocals ótimos), o azedume intenso e belos vocais de “Never Machine”, as soturnas e envolventes “A Spoonful of Darkness” e “The Sceptre”, o cortejo fúnebre de “The Silence” e sua base rítmica pesada e com boas variações, e a longa e hipnótica “The God Particle”, onde as mudanças de ritmo e climas fazem seus mais de 9 minutos passarem como se fossem 9 segundos.

Só resta dizer que “The Doomsday Kingdom” já nasceu grande, é um dos melhores discos do ano, e agradecimentos a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil por nos possibilitar o acesso a tal obra.



RUINS OF ELYSIUM - SEEDS OF CHAOS AND SERENITY (ÁLBUM)



2017
Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Kama Sutra
2. Shadow of the Colossus
3. Serpentarius
4. Beyond the Witching Hour
5. Iris 
6. The Birth of a Goddess
7. Seeds of Chaos and Serenity Arc 1: Crystal
8. Seeds of Chaos and Serenity Arc 2: Black Moon
9. Seeds of Chaos and Serenity Arc 3: Infinity
10. Seeds of Chaos and Serenity Arc 4: Dreams
10. Seeds of Chaos and Serenity Arc 5: Stars


Banda:


Drake Chrisdensen - vocais (tenor)
Vincenzo Avallone - Guitarras, baixo
Icaro Ravelo - Bateria, sintetizadores


Contatos:

Site Oficial: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Se há uma coisa que faz com que o fígado de muitos frite em fogo alto (o deste autor, inclusive) é o descaso dos fãs com as bandas do Brasil. E sendo extremamente sincero: muitos hoje só falam em SEPULTURA, ANGRA, KRISIUN e NERVOSA porque eles conseguiram emplacar no exterior. O que este autor batizou de “efeito SEPUTURA” nada mais é o fato que enorme parte dos fãs de nosso país só dar valor ao produto nacional após estes conquistarem Europa e/ou Japão. E depois, querem ir ao show deles e ter atenção, quando você mesmo, muitas vezes, lhes negou a sua atenção.

Por isso o Metal nacional sofre, as bandas sofrem privações e tribulações enormes para fazer um álbum. Sofre por este descaso, sofre pelas divisões, intrigas e fofocas, pelo radicalismo de muitos em nome de nada (sim, de nada, pois não ajudam o Metal desta forma, e não insistam), e por outros fatores que não deveriam existir.

E tudo isso não lhes permite aproveitar o quão bom é um trabalho como “Seeds of Chaos and Serenity”, da banda RUINS OF ELYSIUN. É um disco diferenciado, bem feito e acabado, algo muito raro de se ver nessas paragens.

A banda faz algo que poderíamos classificar como Symphonic/Epic Metal, ou seja, uma banda que lança mão de elementos sinfônicos (belas orquestrações, vocais tenores e sopranos) em meio a uma música bem elaborada, com guitarras em riffs e solos melodiosos, e um belo trabalho de baixo e bateria, que criam uma base rítmica sólida e de bom gosto. Em termos musicais, isso tudo resulta em uma música melodiosa, elegante e bem acabada, mas ao mesmo tempo, extremamente envolvente e marcante, que nos toma de assalto e não nos permite esquecer suas nuances.

Traduzindo: é maravilhoso, e tem em si o frescor de algo novo e cheio de vida.

Em termos de produção musical, o disco é ótimo. Poderia ser melhor, óbvio, mas é preciso ter em mente o quão difícil é fazer um trabalho desse tipo no Brasil, onde, pelos motivos previamente explicados, mais esta economia frágil e o custo de vida elevado, qualquer iniciativa independente se torna um martírio. Mas eles chegaram a um nível ótimo, com a sonoridade clara e aquela boa dose de peso que toda banda de Metal precisa ter.

Além disso, o trabalho gráfico na arte da capa é muito bem feito. E ele já dá uma pista do que a banda trata em suas letras, bem como dá corpo à música do grupo.

Sendo uma banda que reúne membros de vários países (Brasil, Noruega e Itália), percebe-se uma gama de influências musicais diversificada, o que torna o trabalho do RUINS OF ELYSIUN muito particular. Os que ouvem percebem a influência de temas étnicos interessantes, como os vindos do Oriente Médio (em “Kama Sutra”), isso graças a um instrumental muito rico (tanto Ícaro como Vicenzo fazem um trabalho excelente em suas partes), bem como o timbre tenor de Drake é maravilhoso e apaixonante, sem falar em outros timbres que surgem por todo o disco.

Como todo disco nascido da nata de idéias, ele é bem homogêneo. Os destaques servem apenas para uma referência inicial ao ouvinte.

São eles: a beleza étnica de melodias hipnóticas de “Kama Sutra”, com seu andamento variado e belo trabalho nas orquestrações e na vida que pulsa nos vocais, assim como ocorre em “Shadow of the Colossus” (novamente belíssimas orquestrações, mas acompanhada de riffs muito bons, for baixo e bateria estarem muito bem), a força envolvente e acessível das linhas melódicas de “Serpentarius” (é ouvir e não esquecer mais, graças às melodias um pouco mais simples e ao belíssimo contraste entre os tons de tenor de Drake e aos de soprano da convidada Mayra Temponi), a influência subjetiva do Metal extremo à lá CRADLE OF FILTH presente em “Beyond the Witching Hour” (inclusive pelos vocais rasgados que aparecem na canção, e ainda tem-se um solo de guitarra belíssimo), e os cinco atos de “Seeds of Chaos and Serenity”, quase 40 minutos de pura inspiração musical, onde a banda mostra sua unicidade, sua força e conjunto como um todo, com belas mudanças de andamento, guitarras que criam riffs diferentes, e um trabalho de vozes excelente. A termos de curiosidade, a letra enfoca o popular mangá/anime “Sailor Moon”. Mas o disco inteiro é ótimo, e não é difícil de ser assimilado.

“Seeds of Chaos and Serenity” já se encontra disponível no format digital, e o grupo está lutando para prensá-lo. Se quiser, você pode ajudar a banda através do link https://www.indiegogo.com/projects/seeds-of-chaos-and-serenity-by-ruins-of-elysium-opera#/

Recomendo o trabalho do RUINS OF ELYSIUM a todos os fãs de Metal de bom gosto, e além disso, já passou da hora de acabar com o “efeito SEPULTURA”.

Finalizando: “Seeds of Chaos and Serenity” é um dos melhores discos de 2017.