4 de jun de 2017

VIOLLENCITY - Under Curse (EP)


2017
Independente
Nacional

Nota: 7,8/10,0


Tracklist:

1. Destruction in Hell
2. Mask of Angel
3. Bloody Nation
4. Under Curse


Banda:

Thairan Matos - Vocais, guitarras, baixo
Rodrigo Mattos - Guitarras


Contatos:

Site Oficial:
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Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer Metal no Brasil anda cada vez mais e mais difícil.

Tudo se deve às oscilações econômicas, à fragmentação da cena, à falta de senso e a imposição de regras para se ouvir e gostar de música. Fora isso, os downloads ilegais retiraram a força das gravadoras, que basicamente lutam para sobreviver. E infelizmente, o público não parece se importar com isso.

É uma pena, mas ainda bem que bandas como o iniciante VIOLLENCITY, do Rio de Janeiro, não desanimam por tantos problemas, e na marra, fizeram o ótimo “Under Curse”, um EP de quatro faixas que vai fazer as paredes de sua casa tremerem.

Um Death Metal moderno e brutal com muita influência de Thrash Metal é o que eles nos concedem nas quatro canções de “Under Curse”, e mesmo ainda sendo uma banda bem jovem, o grupo já mostram energia e muita disposição para encararem os desafios do cenário Brazuca. Mas como eles são esporrentos em termos musicais!

A produção do EP é da banda em conjunto com Caio Mendonça (guitarrista do LACERATED AND CARBONIZED), sendo deste último a mixagem. A masterização é de Felipe Eregion, e as gravações ocorreram no RedBozz Studio. E o resultado é muito positivo, com um equilíbrio ótimo entre a agressividade e o peso que a música do grupo precisa, e a clareza necessária para que os fãs possam assimilar as canções de “Under Curse”. E como dito, esse EP vai causar dores de ouvidos e acabar com churrascos de fim de semana daquele seu vizinho pagodeiro/funkeiro/fã de sertanejo chato e que insiste que todos tem que ouvir o que ele gosta.

A arte da capa, bem sinistra, é de Caio Mendonça, e faz um paralelo interessante com a sonoridade do grupo.

A juventude do VIOLLENCITY é contrastada por uma qualidade muito boa em termos de composição. A dupla faz uma música rica em brutalidade e arranjos bem feitos, com vocais guturais, riffs ganchudos, e uma cozinha rítmica simples e coesa. Mas para os mais atentos, cada canção possui uns arranjos detalhistas que são bem interessantes.

O murro nos tímpanos “Destruction in Hell” abre o EP, com vocais guturais extremos e uma pegada Thrash Metal muito boa, com riffs ganchudos e solos bem doentios. Já “Mask of Angel” tende para o Death Metal com sua pegada extrema, e mesmo com seu jeitão Old School, algumas passagens das guitarras mostram como o grupo soa atual. Energia crua e esporrenta flue aos borbotões em “Bloody Nation”, onde o ritmo alterna em vários momentos e se percebe o bom trabalho do baixo. Muitas influências de Death e Death/Black Metal estão presentes nos arranjos de “Under Curse” e seu ataque de riffs insanos.

O VIOLLENCITY é um bom nome, vem para somar e se tudo der certo, serão mais um grande nome do Metal extremo do RJ. E "Under Curse" pode ser baixado de forma legal e gratuita aqui.

Em tempo: a banda está à procura de um baterista.

GUILHERME COSTA - The King’s Last Speech (EP)


2017
Nacional

Nota: 8,6/10,0


Tracklist:

1. Come On and Play
2. The Beginning of a Journey
3. The King’s Last Speech


Banda:


Guilherme Costa - Guitarras
Celo Oliveira - Baixo, guitarra base em “The King’s Last Speech”


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Bandcamp:

E-mail:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Sempre digo em resenhas de discos de guitarristas onde o enfoque é um trabalho instrumental que este já nasce sob um estigma: de ser quase exclusivamente para aqueles que tocam algum instrumento ou têm noções de teoria musical. Óbvio que nem todos os guitarristas caem nesse erro, e quando a música é voltada a um público mais amplo, fica difícil de não gostar. E um músico com essa visão é o guitarrista GUILHERME COSTA, pois basta uma ouvida no EP “The King’s Last Speech” e entenderão o que estou dizendo.

Influenciado por nomes como Joe Satriano, Tonny Iommi, Glenn Tipton, Kiko Loureiro, Paulo Schroeber e outros, é evidente que o foco de Guilherme é criar canções onde a guitarra consiga expressar seus sentimentos, mas serem uma exibição de técnica chata que apenas instrumentistas poderiam compreender. Nada disso, o que se ouve nas três canções deste EP é um trabalho bem coerente e de amplo espectro musical, que visa alcançar a todos. A técnica de Guilherme surge como uma consequência das músicas em si, não como motivação, e por isso, “The King’s Last Speech” soa tão bem aos ouvidos.

Tendo a produção de Gus Monsanto, mixagem e masterização de Celo Oliveira, com tudo gravado no Estúdio Dalva 1, em Petrópolis (região serrana do RJ), a sonoridade do EP é clara e simples, com boa dose de peso. Mas não se enganem, pois esta simplicidade sonora permite que as músicas fluam de forma envolvente e compreensível aos nossos ouvidos, mas obviamente, com boa dose de peso.

E a ilustração da capa, muito simples e funcional, é de Ana Gabriela Morais, e encaixou no contexto musical do EP.

“The King’s Last Speech” poderia ser comparado aos trabalhos mais seminais e de início de carreira de Joe Satriani, aqueles onde tudo soava mais simples e conexo. E justamente por isso é tão bom, sem muitos malabarismos ou “shreds” enjoativos. Mas tenham certeza: Guilherme é uma fera das seis cordas, sem sombra de dúvidas.

“Come On and Play” tem uma bela pegada pesada, com baixo e bateria formando uma base rítmica sólida para o trabalho das guitarras, com arranjos bem feitos e alguns arranjos voltados ao Hard Rock dos anos 80 (e vejam como a técnica dele nas seis cordas é sóbria). Sentimental e bela, “The Beginning of a Journey” nos embala pelo forte sentimento que emana dela, e logo estamos imitando as guitarras com sons de nossas bocas, pois é muito grudenta e de bom gosto. Algo de da erudição da música clássica surge na sinfônica “The King’s Last Speech”, onde alguns “shreds” surgem, mas sem que estes sejam a motivação da canção.

Desta forma, Guilherme mostra um trabalho versátil e de primeira linha. Ouçam “The King’s Last Speech” e se deleitem!